Judowise: Uma Nova Jornada no Judô e na Vida

Queridos amigos,

Há exatamente onze anos publiquei meu último artigo aqui. Onze anos. Tempo suficiente para uma criança aprender a ler, para um judoca branco chegar à faixa marrom, para o mundo mudar completamente, e para eu sentir, todos esses anos, que havia algo inacabado aqui. Vocês continuaram inscritos. 881 de vocês. Isso me diz tudo o que preciso saber.

O judô não nos deixa ir embora facilmente. Sua filosofia se instala silenciosamente na forma como pensamos, como ensinamos, como nos relacionamos com a derrota e com a vitória. Seiryoku zenyo. Jita kyoei. Máxima eficiência. Bem-estar mútuo. Princípios que Jigoro Kano não criou apenas para o tatame, criou para a vida inteira. Foi exatamente isso que me trouxe de volta.

Este espaço se chamava “Caminho da Suavidade”. Agora se chama Judowise — mesmo espírito, novo nome, novo endereço: judowise.com. A ideia continua a mesma que me motivou em 2011: explorar o judô além das técnicas, além das competições, além das faixas. O judô como filosofia de vida, acessível a todos: crianças, pais, judocas iniciantes e veteranos. Mas agora vamos mais longe.

O Judowise nasceu de uma convicção simples: o judô tem muito mais a dizer do que os manuais técnicos conseguem capturar. Há sabedoria no ukemi que vai além de aprender a cair. Há filosofia no kuzushi que transcende o desequilíbrio do adversário. Há lições no randori que nenhuma sala de aula consegue ensinar da mesma forma.

É sobre isso que quero escrever. Sobre o que o judô nos revela quando paramos de olhar apenas para a técnica e começamos a olhar para nós mesmos.

Tudo construído com a mesma honestidade que sempre tentei trazer para cá: a de um judoca que aprendeu muito mais do que ensinou, e que está muito mais disposto a continuar aprendendo do que a fingir que já sabe tudo.

Se você ainda está aqui, seja bem-vindo de volta.

Se chegou agora, seja bem-vindo.

O tatame está pronto.

Oss.

Anderson Nakamura Faixa Preta 3º Dan | Federação Brasileira de Judô

A vida e a morte de Jigoro Kano

 

Imagem histórica
Jigoro Kano

 

Jigoro Kano é conhecido por todo judoca como o criador do Judô, mas no Japão ele é conhecido até os dias de hoje como o maior incentivador do time olímpico japonês e pelo trabalho de ajudar a introduzir reformas no sistema educacional do Japão.

Kano incentivou os estudantes da Faculdade de Formação de Professores de Tóquio a dedicar-se à profissão do ensino e promover a educação esportiva.

Sua história de conquistas no campo profissional é extensa. Para facilitar o entendimento e a consulta dos pontos mais relevantes, o Livro Judô Kodokan, de autoria do próprio Jigoro Kano, traz em seus anexos uma cronologia de Jigoro Kano, que listo abaixo:

Cronologia

  • 1860 – Nasceu em Mikage, província de Hyogo em 28 de outubro. Terceiro filho de Jirosaku Mareshiba Kano, ele recebeu o nome de infância Shinnosuke.
  • 1871 – Ingressou na Seitatsu Shojuku, uma escola privada de Tóquio, onde ele recebeu aulas de Keido Ubukata.
  • 1873 – Entrou na Ikuei Gijuku, uma escola privada em Karasumori, Shiba, Tóquio. Recebeu instruções especiais em Inglês e Alemão de professores nativos.
  • 1874 – Ingressou na escola de línguas estrangeiras de Tóquio.
  • 1875 – Ingressou na escola Kaisei.
  • 1878 – Fundou o primeiro clube de basebol do Japão (Kasei Baseball Club).
  • 1879 – Estudou o jujutsu na escola do mestre Masatomo Iso.
  • 1881 – Formou-se pela Universidade Imperial de Tóquio, em Literatura, Ciências Políticas e Política Econômica. Estudou o jujutsu na kitō-ryū com o mestre Tsunetoshi Likugo.
  • 1882 – Começou a dar palestras e mais tarde passou a professor em Gakushuin. Fundou a Kodokan. Terminou seus estudos de Ciências Estéticas e Morais.
  • 1883 – Fundou o Kobukan, uma escola para estudantes chineses e passou a ser Diretor.
  • 1884 – É adido ao Palácio Imperial.
  • 1885 – Obteve a 7ª Categoria Imperial.
  • 1886 – Passou a vice-diretor da Gakushuin. Obteve a 6ª Categoria Imperial
  • .. 1886… – O judô foi inventado.
  • 1889 – Deixou de ser vice-diretor em Gakushuin para aceitar na Casa Imperial um cargo. Fez uma viagem à Europa, onde visitou organizações educacionais.
  • 1891 – Casou-se com Sumako, filha mais velha do então embaixador coreano, Seizei Takezoe, da qual teve nove filhos, seis meninas e três meninos. Tornou-se diretor da quinta escola de segundo grau, na prefeitura de Kumamoto. Em abril é nomeado conselheiro do Ministro da Educação Nacional.
  • 1893 – Tornou-se diretor da primeira escola de segundo grau de Tóquio, subseqüentemente diretor da escola normal de Tóquio.
  • 1895 – Obteve a 5ª Categoria Imperial.
  • 1897 – Demitiu-se da escola normal de Tóquio, mas tarde, aceita seu cargo de volta. Criou a sociedade Zoshi-Kai e funda os institutos Zenyo Seiki, Zenichi, para a cultura dos jovens. Editou a revista “Kokusai”.
  • 1898 – Foi diretor da educação primária no Ministério da Educação Nacional.
  • 1899 – Tornou-se presidente da comissão do Butokukai (Centro de Estudos das Artes Marciais).
  • 1901 – Tornou-se diretor da escola normal de Tóquio pela terceira vez. Nesta época, o judô e o kendô alcançam uma grande popularidade.
  • 1902 a 1905 – Foi enviado por duas vezes a China pelo Ministro Nacional em missão cultural. Em outubro de 1905 obteve a 4ª Categoria Imperial.
  • 1907 – Fundou no Butokukai os três primeiros katas do judô.
  • 1909 – Tornou-se o primeiro japonês membro do comitê olímpico internacional. Modificou os estatutos do Kodokan, tornando-o uma entidade pública.
  • 1911 – Foi eleito presidente da Federação Desportiva do Japão.
  • 1912 – Foi enviado em missão cultural à Europa e América.
  • 1915 – Fundou a revista Kodokan. Recebeu do rei da Suécia por ter participado ativamente da organização dos 7º Jogos Olímpicos a medalha de honra ao mérito.
  • 1920 – Consagrou-se inteiramente ao judô. E julho, assistiu aos Jogos Olímpicos de Antuérpia, visitando depois a Europa.
  • 1921 – Demitiu-se da presidência da Federação Desportiva do Japão.
  • 1922 – Eleito membro da Casa dos Nobres.
  • 1924 – Foi nomeado professor honorário da Escola Normal Superior de Tóquio (Tóquio Higner School).
  • 1928 – Esteve presente nos Jogos Olímpicos em Amsterdã como membro do COI.
  • 1932 – Deslocou-se aos Estados Unidos para assistir aos Jogos Olímpicos de Los Angeles. Tornou-se conselheiro do gabinete de Educação Física do Japão. Participou por duas vezes no Conselho dos Jogos Olímpicos que lançara o convite para os jogos japoneses (1932-1934).
  • 1936 – Assistiu aos XI Jogos Olímpicos de Berlim.
  • 1938 – Esteve na Reunião do COI no Cairo, onde propôs que Tóquio fosse escolhida como sede dos XII Jogos Olímpicos. Morreu de pneumonia em 04 de maio, no mar, na viagem de volta. Recebeu a título póstumo o 2º Grau Imperial.

Jigoro Kano faleceu sem escrever uma autobiografia, mas existem autores dedicados a este propósito.

Boa semana a todos!

O desenvolvimento infantil através do Judô

Meus queridos,

Hoje tive acesso a um texto publicado no site www.judoctj.com.br, e lido no Facebook, que achei muito interessante e tomo a liberdade de publicar na íntegra. Façam bom proveito.

Judô Infantil

 

“É muito comum atualmente ver pais matricularem seus filhos no Judô, pois acreditam eles que por ser uma arte marcial japonesa, a criança será formada com valores como respeito, integridade, disciplina, entre outras coisas.

Isso é certo, mas também é errado. Não basta matricular o filho numa academia para achar que ele se tornará outra pessoa. A educação da criança deve ser o mais uniforme possível tanto em sua escola como em sua casa e em seu dojo (local de treino). As vezes, basta um exemplo aparentemente inocente dado pelos pais que a criança copia e aprende de modo equivocado (como o caso do vaso roubado). Além disso, a grande vantagem do judô para as crianças não é o fato de ser uma arte marcial japonesa com seus conceitos rígidos, mas outros muito mais importantes.

Segundo Piaget – cientista que estudou os estágios de desenvolvimento infantil – a criança passa por algumas fases durante o seu crescimento. Normalmente quando matriculadas no Judô, as crianças encontram-se na fase que Piaget chama de Estágio Pré-Operatório (entre 2 e 7 anos de idade). Esta fase é também chamada de fase intuitiva, e é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, e é nesta fase que a criança usa a estratégia do jogo simbólico para organizar e compreender o mundo, além de usar o jogo para livrar-se de algumas angústias.

No jogo simbólico, a criança fantasia a realidade. Diz que seu carrinho de brinquedo é uma nave espacial, e que seu boneco tem superpoderes. Diz que duas pedras no chão é a base secreta, e se passa uma formiga, é um dinossauro gigante. Tudo isso faz muito sentido para a criança, apesar de que, as vezes para os adultos, é uma fantasia irrelevante.

Meninas se divertindo com o Judô

O judô trabalha muito com jogos simbólicos. É durante o treino que a criança cria certas fantasias para poder entender um golpe, entender a sua relação com a outra criança, entender que as vezes ela pode machucar o outro. Muitas vezes, a criança acha que o Judogi (kimono) é uma armadura que lhe dá poderes, e com isso, ela se sente capaz de usar o corpo para realizar os movimentos aprendidos, e assim, desenvolver sua capacidade motora.

Nessa fase do desenvolvimento infantil, a criança normalmente é egocêntrica, de modo que não consegue colocar-se no lugar de outra de maneira abstrata. O Judô trabalha isso com os jogos, as lutas e principalmente com a graduação. À medida que a criança cresce, ela se gradua, e ela percebe que deve ser exemplo para as crianças menos graduadas, que vão seguir o mesmo caminho que ela seguiu.

O respeito pelo outro é trabalhado no judô tanto através da graduação, onde a criança mais graduada percebe que deve ser exemplo, e a menos graduada percebe que deve respeitar tanto o professor como as crianças mais graduadas, como também é desenvolvido através do treino. Uma técnica pode machucar, e por isso, não deve ser aplicada para machucar o colega de treino. A criança aprende que ultrapassar os limites do seu próprio corpo pode significar machucar um amigo, e por isso, é preciso desenvolver um auto-controle.

Os jogos tem outro papel importante nesta fase do desenvolvimento: para a criança, o jogo não é apenas uma brincadeira, mas é um modo de organizar o mundo e entender qual o seu papel nesse mundo. Por isso, muitas vezes a criança não aceita a derrota com facilidade. As vezes cria estratégias nos jogos para modificar as regras e sair sempre vencendo, pois a derrota afeta sua auto-estima.

No Judô, as competições servem para trabalhar a derrota. Desde os treinos dentro do dojo, a criança vai aprendendo que numa luta, apesar de um vencer e outro perder, aquilo é momentâneo. Em competição, isso é trabalhado ao extremo, pois a criança é colocada para lutar contra uma outra criança normalmente desconhecida, e seus pais, amigos e o seu sensei estão lá torcendo por ela. Ela sente uma obrigação maior em vencer. É fundamental, neste momento, que desde o início a criança já esteja preparada para a derrota, e entenda a derrota não como a sua incompetência, mas sim, como algo natural que ela use para crescer e desenvolve-se, sem se colocar como um eterno perdedor. Por isso, as escolas de Judô realizam campeonatos internos, pois as crianças disputam contra conhecidos e tem seus pais torcendo, e nestes campeonatos o Sensei pode em cada luta ensinar o papel daquela derrota, e mostrar que é através de certas derrotas que cada vez mais vencemos.”

Go Kyo

O Gokyo No Waza (cinco conjuntos de técnicas) é o programa padrão de técnicas de arremesso no Judô, originado em 1895 no Kodokan, em Tóquio, Japão.

Go Kyo

O Gokyo É o estudo do conjunto das projeções clássicas do Judô. É ao mesmo tempo, a classificação e a chave do ensinamento da técnica de projeção.
Traduz-se: Go, quer dizer “Cinco” e Kiu, quer dizer “Princípio de Ensinamento”.
O Gokyo, é assim, um grupo de cinco princípios de ensinamento, cinco grupos de oito projeções, classificadas segundo critérios pedagógicos.
Quando Kano criou as suas primeiras técnicas, examinou mais eficazmente os fins em vista. foi assim que, com o concurso dos melhores especialistas, ele pôde em 1895, codificar o seu primeiro Gokyo.

Antes de 1982 o Gokio da Kodokan era composto de 40 técnicas de arremesso separados em 5 grupos.
No centésimo aniversário da Kodokan (1982) um grupo adicional com 8 técnicas de arremesso foi incluído, bem como 17 novas técnicas foram aceitas como arremessos oficiais do Judô da Kodokan, apesar de não fazerem parte do Gokio.

Dai Ikkyo (1o. grupo)

1. Deashi Harai
2. Hiza Guruma
3. Sasae Tsurikomi Ashi
4. Uki Goshi
5. Osoto Gari
6. Ogoshi
7. Ouchi Gari
8. Seoi Nage

Dai Nikyo (2o. grupo)

1. Kosoto Gari
2. Kouchi Gari
3. Koshi Guruma
4. Tsuri Komi Goshi
5. Okuri Ashi Harai
6. Tai Otoshi
7. Harai Goshi
8. Uchi Mata

Sankyo (3o. grupo)

1. Kosoto Gake
2. Tsuri Goshi
3. Yoko Otoshi
4. Ashi Guruma
5. Hane Goshi
6. Harai Tsuri Komi Ashi
7. Tomoe Nage
8. Kata Guruma

Yonkyo (4o. grupo)

1. Sumi Gaeshi
2. Tani Otoshi
3. Hane Makikomi
4. Sukui Nage
5. Utsuri Goshi
6. O Guruma
7. Soto Maki Komi
8. Uki Otoshi

Gokyo (5o. grupo)

1. Osoto Guruma
2. Uki Waza
3. Yoko Wakare
4. Yoko Guruma
5. Ushiro Goshi
6. Ura Nage
7. Sumi Otoshi
8. Yoko Gake

Rokukyo (6o. grupo)

1. Obi Otoshi
2. Seoi Otoshi
3. Yama Arashi
4. Osoto Otoshi
5. Daki Wakare
6. Hikikomi Gaeshi
7. Tawara Gaeshi
8. Uchi Maki Komi

Shinmeisho No Waza

(Novas técnicas aceitas)

1. Morote Gari
2. Kuchiki Taoshi
3. Kibisu Gaeshi
4. Uchi Mata Sukashi
5. Dakiage
6. Tsubame Gaeshi
7. Kouchi Gaeshi
8. Ouchi Gaeshi
9. Osoto Gaeshi
10.Harai Goshi Gaeshi
11.Uchi Mata Gaeshi
12.Hane Goshi Gaeshi
13.Kani Basami
14.Osoto Maki Komi
15.Kawazu Gake
16.Harai Maki Komi
17.Uchi Mata Makikomi

Dois bons sites que ajudam a visualizar cada golpe individualmente são:

http://judoinfo.com/gokyo1.htm

http://princetonjudo.org/princetonjudo/gokyu/

Boa Semana a todos!

Fontes: Judô Informe, Judo Info e Princeton Judo (todos websites). Judô Kodokan, KANO, J. Cultrix, 2008.

Kuzushi – O princípio do desequilíbrio

O Judô é uma arte complexa e possui vários pontos importantes de aprendizado e aperfeiçoamento contudo, se pudermos eleger um princípio que valida todos os outros, este seria o domínio do próprio equilíbrio e desequilíbrio do adversário.

Acredito que ninguém melhor que o próprio mestre Kano para explicar tal princípio:

” Usar a força do modo mais eficiente é fundamental para tirar o equilíbrio do oponente. De acordo com o princípio da dinâmica, ele fica então vulnerável e pode ser derrubado com um mínimo de esforço. O ato de desequilibrar o oponente se chama kuzushi. Tendo como referência a postura natural básica, o kuzushi tem oito formas, como ilustrado aqui.

A base do kuzushi consiste em empurrar e puxar, movimentos que são feitos não só com os braços, mas com todo o corpo. Em geral esses movimentos envolvem mais coisas além de puxar e empurrar. Por exemplo, você também pode puxar e soltar, empurrar e soltar, ou empurrar e depois puxar, ou puxar e depois empurrar. O kuzushi pode ser feito tanto em linhas curvas como em retas e em todas as direções. É indispensável você aprender todas as oito formas básicas e usá-las em combinações a fim de efetuar as técnicas fundamentais do judô.

Para evitar que seu oponente o desequilibre, você deve ceder e depois aplicar seu prório kuzushi. Quando for empurrado, deixe-se levar pela força do empurrão, mas mantendo seu equilíbrio, e depois puxe. Isso fará com que seu oponente perca o equilíbrio. E quando for puxado, empurre.” (Judo Kodokan, por Jigoro Kano)

Uma boa semana a todos!

Princípios e Metas do Judô

Acredito que todos necessitamos de Princípios e Metas. Ambos se complementam sem concorrência e contribuem para o mútuo fortalecimento. O Judô não é diferente.

A empatia pelo esporte é essencial para sua prática, e a enorme gama de opções nos propicia conforto na hora da escolha. Então por que eu deveria optar pela prática do judô?

A maioria dos esportes tem em seus princípios a prática competitiva. Seus objetivos originais não eram o de promover um desenvolvimento físico equilibrado e uma boa saúde. (Jigoro Kano)

Resumindo, a prática de esportes não é educação física. O Judô foi criado levando-se em consideração as reflexões de Kano sobre dois princípios fundamentais na prática da educação física: “Qual é o objetivo da educação física? […] é tornar o corpo forte e saudável, e, ao mesmo tempo, formar o caráter através da disciplina mental e moral.”

A pedido dos meus alunos e de amigos, resolvi começar a escrever sobre os princípios básicos do judô. Sei que a maioria dos praticantes quer dicas de técnicas, preparo físico ou táticas para melhor vencer uma luta, prometo que chegaremos lá.

Para que a atividade seja interessante e útil, ela deve se basear no princípio do uso eficiente das energias mental e física.

Por ora, falarei dos aspectos mais fundamentais que compõem o caminho da suavidade; desde os motivos de sua criação, a filosofia e princípios que o embasam e finalmente às técnicas que exercitam toda a teoria.

Antes que elas cresçam

Enquanto lia o livro sobre o qual falei a respeito no post anterior (Jogos de Combate), tive o prazer de me deliciar com o texto de autoria de Affonso Romano de Sant´Anna, que tomei a liberdade de transcrever logo abaixo.

Bom proveito!

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

É que as crianças  crescem. Independentes de nós, como árvores, tagarelas e pássaros estabanados, elas crescem sem pedir licença. Crescem como a inflação, independente do governo e da vontade popular. Entre os estupros dos preços, os
disparos dos discursos e o assalto das estações, elas crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira; crescem, de repente.

Um dia se assentam perto de você no terraço e dizem uma frase de tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde e como andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?

Ela está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça. Ali estão muitos pais, ao volante, esperando que saiam esfuziantes sobre patins, cabelos soltos sobre as ancas. Essas são as nossas filhas, em pleno cio, lindas potrancas.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão elas, com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros ou, então com a suéter amarrada na cintura. Está quente, a gente diz que vão estragar a suéter, mas não tem jeito, é o emblema da geração.

Pois ali estamos, depois do primeiro e do segundo casamento, com essa barba de jovem executivo ou intelectual em ascensão, as mães, às vezes, já com a primeira plástica e o casamento recomposto. Essas são as filhas que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias e da ditadura das horas. E elas crescem meio amestradas, vendo como
redigimos nossas teses e nos doutoramos nos nossos erros.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos.

Longe já vai o momento em que o primeiro mênstruo foi recebido como um impacto de rosas vermelhas. Não mais as colheremos nas portas das discotecas e festas, quando surgiam entre gírias e canções. Passou o tempo do balé, da cultura francesa e
inglesa. Saíram do banco de trás e passaram  para o volante de suas próprias vidas. Só nos resta   dizer “bonne route, bonne route”, como naquela canção francesa narrando a emoção do pai quando a filha oferece o primeiro jantar no apartamento dela.

Deveríamos ter ido mais  vezes à cama delas ao anoitecer para ouvir  sua alma respirando conversas e confidências entre os
lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de colagens, posteres e agendas coloridas de pilô. Não, não as levamos suficientemente ao maldito “drive-in”, ao Tablado para ver “Pluft”, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.

Elas cresceram sem que esgotássemos nelas todo o nosso afeto.

No princípio  subiam a serra ou iam à casa de  praia entre embrulhos, comidas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscinas e amiguinhas. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de sorvetes e sanduíches infantis. Depois chegou a idade em que subir para a casa de campo  com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era
impossível deixar a turma aqui na praia e os primeiros namorados. Esse exílio  dos pais, esse divórcio dos filhos, vai durar sete anos bíblicos. Agora é hora de os pais na montanha  terem a solidão que queriam, mas, de repente, exalarem contagiosa saudade daquelas pestes.

O jeito é esperar. Qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Por isso, é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que elas cresçam.

Dizem que aprendemos a ser filhos quando somos pais, e pais quando somos avós.

Jogos de Combate – Atividades Recreativas e Psicomotoras – Teoria e Prática

Olá amigos,

Essa semana gostaria de falar a respeito de um livro que tenho lido e relido nos últimos meses: Jogos de Combate – Atividades recreativas e psicomotoras. Teoria e prática, de Carlos Alberto Cartaxo.

Esse livro não trata de uma arte marcial específica, mas do uso das artes marciais como ferramenta de desenvolvimento emocional e psicomotor das crianças, respeitando a maturidade inerente a cada idade e fase de desenvolvimento.

O livro nos traz breves descrições sobre, pedagogia, fisiologia e psicologia, mas acredito que a grande contribuição está em dois capítulos específicos. Os jogos de Combate e as Atividades Práticas propostas.

É um livro que contribui, e muito, para entender os mecanismos de aprendizado infantil e é especialmente interessante aos professores dedicados ao ensino das artes marciais.

Recomendo

Faixas no Judô – Última parte

Este é o último artigo que trata do Regulamento Brasileiro de Promoção de Faixas. Diz-se que o judoca só começa a aprender o judô quando atinge a faixa-preta. A partir daí o judoca não pode se dar ao luxo de ser apenas atleta, mas passa a ser referência e começa a amadurecer qualidades, como as necessárias para o ensino, e também começa a observar com mais interesse suas próprias emoções.

A partir da faixa-preta, os requisitos para promoção se tornam ainda mais rigorosos sendo a vivência e a contribuição para o desenvolvimento do judô fundamentais.

Podemos ver abaixo a tabela que define o interstício mínimo para cada faixa:

GRADUADO

FAIXA

GRADUAÇÃO

IDADE MÍNIMA

CARÊNCIA MÍNIMA

PRETA

1º DAN

16 ANOS

1 ANO**

PRETA

2º DAN

20 ANOS

4 ANOS**

PRETA

3º DAN

25 ANOS

5 ANOS **

PRETA

4º DAN

31 ANOS

6 ANOS **

PRETA

5º DAN

37 ANOS

6 ANOS **

 ** Carência mínima exigida pela CBJ, na graduação anterior.

GRADUAÇÃO SUPERIOR

FAIXA

GRADUAÇÃO

IDADE MÍNIMA

CARÊNCIA MÍNIMA

VERMELHA E BRANCA

6º DAN

44 ANOS

7 ANOS **

VERMELHA E BRANCA

7º DAN

52 ANOS

8 ANOS **

VERMELHA E BRANCA

8º DAN

60 ANOS

8 ANOS **

VERMELHA

9º DAN

69 ANOS

9 ANOS **

VERMELHA

10º DAN

78 ANOS

9 ANOS **

 ** Carência mínima obrigatória, na graduação anterior.

Do 1º ao 5º dan (yudansha) os candidatos serão submetidos a uma comissão estadual de graus, sendo os avaliadores necessariamente mais graduados que os avaliandos.

Do 6º ao 10º dan (kodansha) os candidatos passarão por comissão especial, sendo que os órgão responsáveis, dependendo do grau, vão desde a Federação Estadual à Federação Internacional.

Apesar de o interstício ser requisito importante para promoção, não é o único a ser considerado. Outras qualidades desenvolvidas ao longo da jornada do judoca são levados em consideração nos graus superiores, tais como publicações, participações em cargos administrativos nas federações, atuações como árbitro, participações em cursos e seminários na qualidade de aluno e também como palestrante ou professor, cursos pedagógicos e a experiência prática como professor em academias ou outras instituições.

Faixas no Judô – Parte 2

Dando continuidade ao artigo postado na semana passada, essa semana falaremos das faixas intermediárias do judô, na sequência: faixas laranja, verde, roxa, e marrom.

A diferença fundamental é que essas faixas, ao contrário das faixas para iniciante, não possuem ponteira, e exigem obrigatoriamente a permanência por 12 meses na faixa anterior, não cabendo ao professor a promoção em tempo menor que o definido pela CBJ.

INTERMEDIÁRIO

FAIXA

GRADUAÇÃO

IDADE MÍNIMA

CARÊNCIA   MÍNIMA

LARANJA

4º KYU

11 ANOS

12 MESES

VERDE

3º KYU

12 ANOS

12 MESES

ROXA

2º KYU

13 ANOS

12 MESES

MARROM

1º KYU

14 ANOS

12 MESES

Pelo atual regulamento, que vigora desde fevereiro de 2011, a idade mínima para um atleta de judô alcançar a faixa preta é de 16 anos.

Para acesso ao regulamento em sua íntegra acesse o seguinte link: http://www.slideshare.net/judonabahia/regulamento-de-graduao-de-faixas-da-cbj

Tenham todos uma excelente semana!